Quarta-feira, 30 de Junho de 2010
POEMA ENIGMÁTICO

 

 

Os cães comem cedilhas quando cantam.

Os pedintes pedem cedilhas aos que pecam.

Os gatos engolem os is quando se irritam.

E dos lobos faz-se vinho quando sem is ululam.

De rugido de leão alterado sai mugido de vaca

sonolenta na pastagem.

O cheiro da noite mistura-se na paisagem

Com o doce das amoras caídas da ponta da língua

efeminada de uma serpente.

Nos hábitos negros, mais negros que a escuridão

Um mocho ancestral é canonizado.

No largo da terra foi enforcado um cavalo selvagem

que roubara outro domesticado.

Pela justiça cega da noite jaz agora relinchado.

Um burro distraído urra sem saber do z.

Outro burro escreve sem saber de quê

e no final assinará apenas como José.

Ainda é cedo para acabar esta história

feita de coincidências que nas palavras

são fartas.

Merece continuar se a tanto me ajudar

a memória de palavras ditas onomatopaicas.

Paro. Pairo no ar o meu pensamento.

Obrigo-o a esvoaçar levitando

da força da gravidade libertando

o meu corpo pesado como se do lastro

se desfizesse.

Ali está ele. Disfarçado de bando de gaivotas.

(Gaivotas em terra? Sinais de tempestade)

Peço ao rico um pouco de grana

E com um s emprestado

O meu pensamento fala com a gaivota que voa

a meu lado.

Numa capoeira fedorenta uma galinha

abre as portas que se fecham.

Numa carreira de tiro muitos carneiros praticam.

Um velho pitosga esqueceu-se da origem

e ficou repelente

e um seu primo deitado na cama

papa moscas e vento.

Um grilo engana-se na gasolina que põe no carburador

e uma rã anura acha finalmente o que não diz

por decoro.

Uma velha cleptomaníaca dá a um cão a fala

e um artista de circo na despedida

enche as bancadas de hienas.

Um papagaio louco nunca mais se cala

e por vezes há grandes saudades de coisas pequenas.

Num fazer de mala… na procura de noites serenas…

Pára José! Pára que estás a delirar!

Está bem  Eu paro..

Mas preciso, antes, de um a mudo.

Onde é que eu o fui deixar?

O pior é que, mesmo que o chame, ele não vem.

Também é surdo.

E se o não fosse, de que serviria

se o nada que diz é tudo?

Do chefe de correios da antiga nação

(correio -mor)

eu dispenso a correspondência.

Deixai-me o resto. E o a mudo.

Eu não sei se sou eu que não presto

ou se quem me pôs louco foi este texto.

Dai-me ao menos o a mudo

que do correio -mor já tenho o que queria

para no fim ter a alegria,  de encontrar no nada…

… O TUDO!

 

 

 

JOSE MURTA LOURENÇO

 

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publicado por jose murta lourenço às 14:50
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