
Os meus olhos rasam a areia rasa.
Passam pés aos pares deixando
pegadas.
Pernas brancas, queimadas, flácidas,
Musculadas, e um parzinho, ele a ela,
Arrastando a asa.
Marulham ondas num lento devagar
Com a plácida placidez de maré
preguiçosa
E devagar esfrega-se na pele leitosa
Uma loira de tetas flácidas a abanar.
Ao fundo, num cenário de imenso pintado
Misturam-se dois azuis em Tordesilhas
E tudo é azul, até o ponto imaginado,
Onde se espreguiçam dois bicos suaves
De encantadoras Antilhas.
Que bom ser eu, o pesquisador
De tantas matas e de tantos matagais
Por entre o verde e o azul naturais
Que aos meus olhos devolvem as cores
Com que Deus encantou os mortais.
Guardei dentro de mim a maré-cheia,
o sabor das línguas de cadelinhas,
De bruços caí sobre a vulva de areia
Onde todo o mar cabia
e que o vento recobria de ondinhas.
E guardei o odor da maresia,
Das algas, a doçura do seu orgasmo,
Torrou-se-me a cabeça ao fim do dia
E rebolei-me na areia, epiléptico,
De poética epilepsia.
A Natureza provoca-me, e eu pasmo.
Vibra meu corpo num doce espasmo
E, ejaculo … Poesia!
José Murta Lourenço