Pensa em três figuras geométricas…
O quadrado, o triângulo, algo redondo
como o círculo. Agora diz-me!
Se te perguntasse a qual delas associarias
uma ciência exacta, a física, a matemática,
uma ciência aplicada às engenharias,
qual delas escolherias?
- O quadrado!
Muito bem. E se pensasses em música,
em escultura, poesia, outro género de literatura
ou em outra arte como a pintura,
até a arte de criar um retrato,
qual das formas escolherias?
- O círculo!
Claro, porque imaginarias que ele se move
com a suavidade de um sonho…
E se eu te disser que os quadrados não existem?
E se eu te disser que não são rectos os seus lados?
E se eu te disser que o círculo é um polígono
de lados não rectos e em número infinito?
E se eu te disser que o absoluto é o nada
porque só o nada é absoluto? Que dirias?
Sabes, eu acho que a vida é um círculo quadrado
porque mesmo quando sonhamos
e nos sentimos tão redondos como nascemos
afinal aprendemos que nunca saímos
de um enorme quadrado, o único exacto,
o único verdadeiro, o nosso fado,
nascer e morrer,
onde só o nada é derradeiro.
Já pensaste nisto? Claro que não!
O nada não existe!
Ou então, à nossa pequena dimensão,
ele foge sempre.
E mesmo quando o pensamos ver,
ele resiste, vai-se, e nunca é visto!
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