Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011
EXCERTO DE AGUARELAS: A NOITE ALGARVIA (NO BARROCAL...EM AGOSTO)

 

 

 

 

I-

Em Évora

gosto de estar no tempo

sem saber da hora

e de estar na hora

sem cuidar do tempo.

Gosto de vaguear

pela cidade fora

e sem estar por fora

não estar por dentro.

 

 

II- A noite Algarvia (de Agosto)

 

 

A tarde cai, lenta, devagar

mansamente lá vai o Sol

escorregando no horizonte.

A brisa mal se sente

sussurrando no ouvido da gente

palavras quentes, de amores antigos,

lágrimas de mouras, seios altivos,

bocas sedentas de fontes perdidas

noites de lua-cheia, formas difusas,

sombras da noite confundidas.

Ao longe canta o cuco

a rola responde ao desafio

e um galo senhor de sua capoeira

resmunga qualquer asneira

em língua de galo instruído.

Cai o silêncio.

E o silêncio da tarde que cai

assusta tanto

que ninguém o ousa quebrar.

As folhas da velha alfarrobeira

abanam-se do calor, a medo,

e mal se ouvem no seu agitar

gemendo sibilamente

como que dizendo que a culpa é do vento

se o seu sussurrar se sente.

O Sol já não é mais que bola inchada,

um pouco mais que nada

e a noite em breve o seu manto estenderá.

Abrem-se as portas das lendas encantadas.

Perfilam-se na partida os cavalos alados.

Impacientam-se os cometas de caudas ardentes

e nos curros da noite

já marram os bois de cornos tridentes

e velhos horrendos cofiam os bigodes farfalhentos.

No calor sufocante da noite

quando a hora enfim chegar

o pio do mocho rasgará o ar

anunciando procissões de fantasmas

almas penadas rangendo matracas

côcas marafadas

desfazendo-se em gargalhadas.

E ai de quem ousar desafiar a noite!

Que mil rezas

mil quebrantos

mil pragas

sobre si atrairá.

Se for homem

em sapo se tornará.

Se for moço

cão danado ficará.

Se for velho

em cajado restará

E se for manco

de pronto

em raiz o seu cajado se mudará.

 

 

Calem-se!

Fechem vossas bocas

ó mortais assustadiços!

Durmam

que a noite é dos demónios e feitiços.

E amanhã

quando o Sol voltar a nascer

tudo será de novo belo

luminoso

claro

ardentemente quente

tranquilamente azul

pacatamente verde

buliciosamente cosmopolita

encantadoramente barrocal

tragicamente só, na serrania.

…E um novo dia

renasce das entranhas

da estranha noite Algarvia.

 



publicado por jose murta lourenço às 16:32
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publicado por jose murta lourenço às 09:18
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